quarta-feira, 27 de abril de 2011

Texto do blog da CODMUC

19/10/2010

Não toco música evangélica e pronto!

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Esta semana li várias coisas pela internet que me deixaram muito intrigado… Ainda ė a mesma discussão: música evangélica. Estou me segurando há meses, se bobear, anos, para escrever mais sobre este assunto! E parece que o povo ainda está vivendo no século passado.
Por incrível que pareça, ainda se encontram barreiras para colocar uma música evangélica em uma missa, em um grupo de oração ou até mesmo em um encontro religioso ditamente católico. Já disse isso em artigos anteriores, mas sempre é válido lembrar: creio que o problema maior é a “plaquinha” que levantamos. Muitas vezes nos preocupamos em levantar a bandeira da nossa igreja, do movimento que participamos, do nosso grupo de oração ou do grupo de jovens e esquecemos que quem necessariamente precisa ser exaltado é Jesus Cristo. Nossas bandeiras, nossas placas, nossos cartazes e outdoors precisam ser um só! Se somos CRISTÃOS, a meta é direcionar ao CRISTO. Cristo… Cristão… Cristianismo…
Antes de qualquer julgamento, precisamos buscar conhecer a história e a essência de cada religião, pois podemos acabar tendo as mesmas atitudes dos judeus para com os samaritanos. Jesus morreu lutando para que todos tivessem VIDA, e vida em abundância. TODOS, sem exclusão.
Na época de Jesus, a exclusão era grande com os considerados impuros e pores. O templo não dava acesso a todas as pessoas por motivos diversos e muitas vezes tolos. Foi o que mais Jesus criticou, lutando por dignidade, justiça e igualdade para os povos.
Geralmente, como enxergamos os protestantes, os evangélicos e a música gospel? Como se fossem uma segunda classe, como se nós fôssemos melhores pelo simples fato de sermos católicos. Você percebe isso?
Muitas músicas que você e eu cantamos em nossas celebrações e eventos são evangélicas: Segura na mão de Deus, Porque Ele vive, Quão grande és Tu, A alegria, Basta querer, Anjos de Deus, Fico feliz, Sou um milagre, Eu navegarei, Assim como a Corça, Levanta-Te, Oferta de Amor, Celebrai, entre outras (são centenas, acredite!). E porque teimamos em ter preconceitos em cantar músicas evangélicas novas, ouvir um CD, ver um DVD ou até mesmo ir a um show gospel?
O uso de composições evangélicas na Igreja Católica e em todos os seus movimentos, principalmente a RCC, não é apenas um fenômeno dos nossos dias, é uma prática que faz parte da história da Igreja e dos movimentos. E não há nada de errado com isso, desde que tenhamos sempre o discernimento de filtrar, de acordo com nossa Doutrina Católica, o que escolhemos para cantar.
Tem gente que fala baboseira e tem atitudes erradas dentro da igreja evangélica? Claro! E na igreja católica, não? Nem precisamos ir muito longe… Pense por si próprio!
Existem evangélicos bitolados que acham que só a igreja deles presta e só ela nos leva para o céu… E na católica, é difícil encontrarmos isso?
Tenho muitos amigos evangélicos. A maioria deles, quando convido, vão até conhecer nossos grupos de oração e participar de uma santa missa. Cantam e ouvem nossas músicas. E eu tento convertê-los? Não. Tenho profundo respeito por eles e eles por mim. Por isso me aceitam também como sou, sem tentar me levar para a doutrina deles. Nosso foco é um só: o filho de Deus. Isso nos une, nos faz verdadeiros irmãos e nos basta!
Com minha banda, o Canal da Graça, fazemos alguns eventos ecumênicos. Até hoje nunca tivemos problemas. Pelo contrário, só nos enriquecem na fé.
Nosso mais novo CD (Tocando o Céu) tem 8 músicas arranjadas pelo Adelso Freire (Banda Giom), grande músico evangélico, cantor e compositor, que produz muitos trabalhos católicos (e também da religião dele, é lógico). E nem por isso nosso CD deixou de ter a nossa cara, a face de Cristo da nossa missão, porque quisemos, desde o início, não perder nossa identidade. E nunca perdemos este foco, mesmo trabalhando com o Adelso!
Conheço comunidades católicas famosas, conceituadas e reconhecidas pelo Vaticano, que convidam músicos evangélicos para a produção de seus CDs e DVDs. Conheço outras que também fazem aula de técnica vocal e instrumental com músicos protestantes. Aliás, é uma porcentagem muito maior do que você imagina.
E nossas canções? A maioria dos CDs católicos atuais (Anjos de Resgate, Adriana, Padre Fábio de Melo, Padre Marcelo Rossi, Eliana Ribeiro, Louvor & Glória, Celina Borges, Dalvimar Gallo, entre centenas de outros) trazem composições evangélicas, de amigos e irmãos que colocam seus dons a serviço da evangelização. E agora que você sabe, isso mudou sua oração e intimidade com Deus através das canções destes ministérios? Tenho certeza que não.
Como nos ensina a palavra de Deus, a salvação é pessoal (e intransferível). Se eu, como católico, e meu irmão, como protestante, não a buscarmos, ambos não herdaremos a vida eterna. É simples e radical mesmo. Depende só de mim e não da bandeira que carrego.
Quem falou que o Padre Fábio de Melo tem mais intimidade com Deus que o André Valadão (grande ícone atual da música gospel brasileira)? Ou que a Celina Borges ou a Adriana têm mais unção que a Fernanda Brum? Eu não posso julgar. Quem sou eu para isso? A primeira pedra jogada acertaria em cheio a minha cabeça! Precisamos nos abastecer do que ambos têm para profetizar e nos ajudar na busca constante de ir além de onde estamos.
O cristianismo não pode ser fundado em competições, divisões e brigas. O Diabo existe para nos dividir e nos conscientizar do contrário. A palavra “diabo” é originada do grego “diabolon”, que significa divisão, oposição.
O Senhor não me transforma em “menos católico” por ouvir música gospel. Muito menos em tocá-la. Há muito católico quem nem conhece sua própria doutrina!
Quando tive a oportunidade de ir à Terra Santa e conhecer de perto a religiosidade e cultura deste povo, percebi que, pelo número de cristãos ser extremamente pequeno, pouco mais de 8% da população, eles não ficam lutando pra ver quem é mais católico ou evangélico. Pelo contrário, há uma união pela luta, para que o cristianismo não seja exterminado. Isso, sim, é lindo de se ver e viver! Às vezes sinto falta da perseguição que já existiu na história da Igreja. Ela nos fortalece e nos faz crescer na fé…
Há uma frase de Mahatma Gandhi, um dos homens que fez a diferença neste planeta, que expressa bem o que quero exemplificar: “Quando conheci o evangelho de Jesus Cristo, me apaixonei por sua vida e ideais. Quando conheci seus seguidores, os cristãos, me decepcionei”.
Será que não está na hora de fazermos a nossa diferença e provarmos para o mundo nossa verdadeira raiz?
Eu me espelho em cristãos verdadeiros, sendo eles católicos ou protestantes. Quer maior exemplo que Bill Gates, evangélico, que segundo a imprensa americana, entrega metade dos lucros da Microsoft para ajudar os pobres, os famintos e necessitados do mundo?
“Eu acho que todos os bilionários deveriam doar a maior parte de suas fortunas – embora não diga que não devam deixar nada a seus filhos. Acho que eles gostariam disso, os filhos deles ficariam melhores e o mundo ficaria melhor. Sou um grande adepto da ideia de que as grandes fortunas devem ir dos mais ricos aos mais pobres”, afirmou Gates numa reunião na casa de ópera de Oslo, em 2009.
Pelos dados da ONU, mais de 1 milhão de pessoas morrem de fome POR DIA no mundo. A começar por mim, o que fazemos pela parte social do nosso planeta? Preocupamo-nos com coisas tão pequenas e esquecemos o que deveria ser o mais essencial!
Voltando ao assunto da música… Em 2004, enquanto  era coordenador nacional do Ministério de Música e Artes da RCC, João Valter Ferreira Filho escreveu um artigo com o título “E as canções feitas por irmãos de outras igrejas?”, onde abordou tudo o que diz respeito a este tema de uma forma extremamente lúdica e inteligente. Todos, sem exceção, deveriam ler e estudar este rico texto com seu ministério. Ele finalizou com o seguinte parágrafo, que transcrevo a seguir: “Claro que nada impede que alguém simplesmente diga ‘não toco música evangélica e pronto’. Em princípio, até Deus respeita sua liberdade, por que alguém mais poderia não respeitá-la? Entretanto, é bom que todos nós saibamos que essa escolha não quer dizer que você está ‘defendendo sua fé’ ou ‘sendo mais autêntico’ que os outros… É uma opção sua, importante enquanto expressão de seu pensamento, porém nada mais que uma opção. Pensar o contrário seria querer afirmar, inclusive, que o próprio Magistério da Igreja também não está ‘tendo coragem de defender a fé’, um absurdo, portanto” (leia o artigo citado AQUI).
Agradeço à minha amiga Lucimare Nascimento e a todos os amigos de São Paulo (SP), que discutiram, no amor, sobre este assunto. Amiga, seu e-mail foi uma referência para este artigo, que eu já estava para escrever há tempos. Deus abençoe sua missão e sua vida!
Quando comecei a escrever, estava em meu coração falar somente da música, mas o Espírito me conduziu também para o lado da história das religiões. Creio no que Deus quis falar através disso tudo.
Vou continuar admirando e orando pela boa música, seja ela religiosa ou secular, por que sempre se pode analisar tudo e tirar aquilo que é bom de cada uma delas!
Minha oração de hoje é para que o Senhor abra nossos corações para enxergarmos verdadeiramente o sobrenatural.
Santa Cecília, rogai por nós!
*coordenador da banda Canal da Graça

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS

1999
A todos aqueles que apaixonadamente
procuram novas « epifanias » da beleza
para oferecê-las ao mundo
como criação artística.

« Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa » (Gn 1,31).


O artista, imagem de Deus Criador
1. Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como, aliás, os artistas de todos os tempos —, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico, quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus, único criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar.
Pareceu-me, por isso, que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós, a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que, em dois mil anos de história, nunca se interrompeu e se prevê ainda rico de futuro no limiar do terceiro milénio.
Na realidade, não se trata de um diálogo ditado apenas por circunstâncias históricas ou motivos utilitários, mas radicado na própria essência tanto da experiência religiosa como da criação artística. A página inicial da Bíblia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no artífice, reflecte-se a sua imagem de Criador. Esta relação é claramente evidenciada na língua polaca, com a semelhança lexical das palavras stwórca (criador) e twórca (artífice).
Qual é a diferença entre « criador » e « artífice »? Quem cria dá o próprio ser, tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti, como se costuma dizer em latim — e isto, em sentido estrito, é um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, a que dá forma e significado. Este modo de agir é peculiar do homem enquanto imagem de Deus. Com efeito, depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher « à sua imagem » (cf. Gn 1,27), a Bíblia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. Gn 1,28). Foi no último dia da criação (cf. Gn 1,28-31). Nos dias anteriores, como que marcando o ritmo da evolução cósmica, Javé tinha criado o universo. No final, criou o homem, o fruto mais nobre do seu projecto, a quem submeteu o mundo visível como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva.
Por conseguinte, Deus chamou o homem à existência, dando-lhe a tarefa de ser artífice. Na « criação artística », mais do que em qualquer outra actividade, o homem revela-se como « imagem de Deus », e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a « matéria » estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda. Com amorosa condescendência, o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano, chamando-o a partilhar do seu poder criador. Obviamente é uma participação, que deixa intacta a infinita distância entre o Criador e a criatura, como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: « A arte criativa, que a alma tem a sorte de albergar, não se identifica com aquela arte por essência que é própria de Deus, mas constitui apenas comunicação e participação dela ».(1)
Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão.
A vocação especial do artista
2. Nem todos são chamados a ser artistas, no sentido específico do termo. Mas, segundo a expressão do Génesis, todo o homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima.
É importante notar a distinção entre estas duas vertentes da actividade humana, mas também a sua conexão. A distinção é evidente. De facto, uma coisa é a predisposição pela qual o ser humano é autor dos próprios actos e responsável do seu valor moral, e outra a predisposição pela qual é artista, isto é, sabe agir segundo as exigências da arte, respeitando fielmente as suas regras específicas.(2) Assim, o artista é capaz de produzir objectos, mas isso de per si ainda não indica nada sobre as suas disposições morais. Neste caso, não se trata de plasmar-se a si mesmo, de formar a própria personalidade, mas apenas de fazer frutificar capacidades operativas, dando forma estética às ideias concebidas pela mente.
Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é. Isto aparece confirmado inúmeras vezes na história da humanidade. De facto, quando o artista plasma uma obra-prima, não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta também a própria personalidade. Na arte, encontra uma dimensão nova e um canal estupendo de expressão para o seu crescimento espiritual. Através das obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a História da Arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam dos seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles oferecem à história da cultura.
A vocação artística ao serviço da beleza
3. Um conhecido poeta polaco, Cyprian Norwid, escreveu: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».(3)
O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.(4) A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía », ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem refugiou-se na natureza do Belo ».(5)
Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do « talento artístico ». E também este é, certamente, um talento que, na linha da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25,14-30), se deve pôr a render.
Tocamos aqui um ponto essencial. Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor, escultor, arquitecto, músico, actor... —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade.
O artista e o bem comum
4. De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ». No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum.
A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».
A arte face ao mistério do Verbo encarnado
5. A Lei do Antigo Testamento contém uma proibição explícita de representar Deus invisível e inexprimível através duma « estátua esculpida ou fundida » (Dt 27,15), porque Ele transcende qualquer representação material: « Eu sou Aquele que sou » (Ex 3,14). No mistério da Encarnação, porém, o Filho de Deus tornou-Se visível em carne e osso: « Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher » (Gl 4,4). Deus fez-Se homem em Jesus Cristo, que Se tornou assim « o centro de referência para se poder compreender o enigma da existência humana, do mundo criado, e mesmo de Deus ».(6)
Esta manifestação fundamental do « Deus-Mistério » apresenta-se como estímulo e desafio para os cristãos, inclusive no plano da criação artística. E gerou-se um florescimento de beleza, cuja linfa proveio precisamente daqui, do mistério da Encarnação. De facto, quando Se fez homem, o Filho de Deus introduziu na história da humanidade toda a riqueza evangélica da verdade e do bem e, através dela, pôs a descoberto também uma nova dimensão da beleza: a mensagem evangélica está completamente cheia dela.
A Sagrada Escritura tornou-se, assim, uma espécie de « dicionário imenso » (P. Claudel) e de « atlas iconográfico » (M. Chagall), onde foram beber a cultura e a arte cristã. O próprio Antigo Testamento, interpretado à luz do Novo, revelou mananciais inexauríveis de inspiração. Desde as narrações da criação, do pecado, do dilúvio, do ciclo dos Patriarcas, dos acontecimentos do êxodo, passando por tantos outros episódios e personagens da História da Salvação, o texto bíblico atiçou a imaginação de pintores, poetas, músicos, autores de teatro e de cinema. Uma figura como a de Job, só para dar um exemplo, com a problemática pungente e sempre actual da dor, continua a suscitar conjuntamente interesse filosófico, literário e artístico. E que dizer então do Novo Testamento? Desde o Nascimento ao Gólgota, da Transfiguração à Ressurreição, dos milagres aos ensinamentos de Cristo, até chegar aos acontecimentos narrados nos Actos dos Apóstolos ou previstos no Apocalipse em chave escatológica, inúmeras vezes a palavra bíblica se fez imagem, música, poesia, evocando com a linguagem da arte o mistério do « Verbo feito carne ».
Tudo isto constitui, na história da cultura, um amplo capítulo de fé e de beleza. Dele tiraram proveito sobretudo os crentes para a sua experiência de oração e de vida. Para muitos deles, em tempos de escassa alfabetização, as expressões figurativas da Bíblia constituíram mesmo um meio concreto de catequização.(7) Mas para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo.
Entre Evangelho e arte, uma aliança profunda
6. Com efeito, toda a intuição artística autêntica ultrapassa o que os sentidos captam e, penetrando na realidade, esforça-se por interpretar o seu mistério escondido. Ela brota das profundidades da alma humana, lá onde a aspiração de dar um sentido à própria vida se une com a percepção fugaz da beleza e da unidade misteriosa das coisas. Uma experiência partilhada por todos os artistas é a da distância incolmável que existe entre a obra das suas mãos, mesmo quando bem sucedida, e a perfeição fulgurante da beleza vislumbrada no ardor do momento criativo: tudo o que conseguem exprimir naquilo que pintam, modelam, criam, não passa de um pálido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes diante dos olhos do seu espírito.
O crente não se maravilha disto: sabe que se debruçou por um instante sobre aquele abismo de luz que tem a sua fonte originária em Deus. Há porventura motivo para admiração, se o espírito fica de tal modo inebriado que não sabe exprimir-se senão por balbuciações? Ninguém mais do que o verdadeiro artista está pronto a reconhecer a sua limitação e fazer suas as palavras do apóstolo Paulo, segundo o qual Deus « não habita em santuários construídos pela mão do homem », pelo que « não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem » (Act 17,24.29). Se já a realidade íntima das coisas se situa « para além » das capacidades de compreensão humana, quanto mais Deus nas profundezas do seu mistério insondável!
Já de natureza diversa é o conhecimento de fé: este supõe um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Mas também este conhecimento pode tirar proveito da intuição artística. Modelo eloquente duma contemplação estética que se sublima na fé são, por exemplo, as obras do Beato Fra Angélico. A este respeito, é igualmente significativa a lauda extasiada, que S. Francisco de Assis repete duas vezes na chartula, redigida depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne: « Vós sois beleza... Vós sois beleza! ».(8) S. Boaventura comenta: « Contemplava nas coisas belas o Belíssimo e, seguindo o rasto impresso nas criaturas, buscava por todo o lado o Dilecto ».(9)
Uma perspectiva semelhante aparece na espiritualidade oriental, quando Cristo é designado como « o Belíssimo de maior beleza que todos os mortais ».(10) Assim comenta Macário, o Grande, a beleza transfigurante e libertadora que irradia do Ressuscitado: « A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprimível da glória luminosa do rosto de Cristo, fica cheia do Espírito Santo (...) é toda olhos, toda luz, toda rosto ».(11)
Toda a forma autêntica de arte é, a seu modo, um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo. E, como tal, constitui um meio muito válido de aproximação ao horizonte da fé, onde a existência humana encontra a sua plena interpretação. Por isso é que a plenitude evangélica da verdade não podia deixar de suscitar, logo desde os primórdios, o interesse dos artistas, sensíveis por natureza a todas as manifestações da beleza íntima da realidade.
Os primórdios
7. A arte, que o cristianismo encontrou nos seus inícios, era o fruto maduro do mundo clássico, exprimia os seus cânones estéticos e, ao mesmo tempo, veiculava os seus valores. A fé impunha aos cristãos, tanto no campo da vida e do pensamento como no da arte, um discernimento que não permitia a aceitação automática deste património. Assim, a arte de inspiração cristã começou em surdina, ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem, com base na Escritura, os mistérios da fé e simultaneamente de arranjar um « código simbólico » para se reconhecerem e identificarem especialmente nos tempos difíceis das perseguições. Quem não recorda certos símbolos que foram os primeiros vestígios duma arte pictórica e plástica? O peixe, os pães, o pastor... Evocavam o mistério, tornando-se quase insensivelmente esboços de uma arte nova.
Quando, pelo édito de Constantino, foi concedido aos cristãos exprimirem-se com plena liberdade, a arte tornou-se um canal privilegiado de manifestação da fé. Por todo o lado, começaram a despontar majestosas basílicas, nas quais os cânones arquitectónicos do antigo paganismo eram assumidos sim, mas reajustados às exigências do novo culto. Como não recordar pelo menos a antiga Basílica de S. Pedro e a de S. João de Latrão, construídas pelo imperador Constantino? Ou, no âmbito dos esplendores da arte bizantina, a Haghia Sophía de Constantinopla querida por Justiniano?
Enquanto a arquitectura desenhava o espaço sagrado, a necessidade de contemplar o mistério e de o propor de modo imediato aos simples levou progressivamente às primeiras expressões da arte pictórica e escultural. Ao mesmo tempo surgiam os primeiros esboços de uma arte da palavra e do som; e se Agostinho incluía também, entre as temáticas da sua produção, um De musica, Hilário, Ambrósio, Prudêncio, Efrém da Síria, Gregório de Nazianzo, Paulino de Nola, para citar apenas alguns nomes, faziam-se promotores de poesia cristã, que atinge frequentemente um alto valor não só teológico mas também literário. A sua produção poética valorizava formas herdadas dos clássicos, mas bebia na linfa pura do Evangelho, como justamente sentenciava o Santo poeta de Nola: « A nossa única arte é a fé, e Cristo é o nosso canto ».(12) Algum tempo mais tarde, Gregório Magno, com a compilação do Antiphonarium, punha as premissas para o desenvolvimento orgânico daquela música sacra tão original, que ficou conhecida pelo nome dele. Com as suas inspiradas modulações, o Canto Gregoriano tornar-se-á, com o passar dos séculos, a expressão melódica típica da fé da Igreja durante a celebração litúrgica dos Mistérios Sagrados. Assim, o « belo » conjugava-se com o « verdadeiro », para que, também através dos caminhos da arte, os ânimos fossem arrebatados do sensível ao eterno.
Não faltaram momentos difíceis neste caminho. A propósito precisamente do tema da representação do mistério cristão, a antiguidade conheceu uma áspera controvérsia, que passou à história com o nome de « luta iconoclasta ». As imagens sagradas, já então difusas na devoção do povo de Deus, foram objecto de violenta contestação. O Concílio celebrado em Niceia no ano 787, que estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto, foi um acontecimento histórico não só para a fé mas também para a própria cultura. O argumento decisivo a que recorreram os Bispos para debelar a controvérsia, foi o mistério da Encarnação: se o Filho de Deus entrou no mundo das realidades visíveis, lançando, pela sua humanidade, uma ponte entre o visível e o invisível, é possível pensar que analogamente uma representação do mistério pode ser usada, pela dinâmica própria do sinal, como evocação sensível do mistério. O ícone não é venerado por si mesmo, mas reenvia ao sujeito que representa.(13)
A Idade Média
8. Os séculos seguintes foram testemunhas dum grande desenvolvimento da arte cristã. No Oriente, continuou a florescer a arte dos ícones, vinculada a significativos cânones teológicos e estéticos e apoiada na convicção de que, em determinado sentido, o ícone é um sacramento: com efeito, de modo análogo ao que sucede nos sacramentos, ele torna presente o mistério da Encarnação nalgum dos seus aspectos. Por isso mesmo, a beleza dum ícone pode ser apreciada sobretudo no interior de um templo, com os candelabros que ardem e suscitam na penumbra infinitos reflexos de luz. A este respeito, escreve Pavel Florenskij: « Bárbaro, pesado, fútil à luz clara do dia, o ouro reanima-se com a luz trémula dum candelabro ou duma vela, que o faz cintilar aqui e ali com miríades de fulgores, fazendo pressentir outras luzes não terrestres que enchem o espaço celeste ».(14)
No Ocidente, são muito variadas as perspectivas e os pontos donde partem os artistas, dependendo também das convicções fundamentais presentes no ambiente cultural do respectivo tempo. O património artístico, que se foi acumulando ao longo dos séculos, conta um florescimento vastíssimo de obras sacras de alta inspiração, que deixam cheio de admiração mesmo o observador do nosso tempo. Em primeiro plano, situam-se as grandes construções do culto, onde a funcionalidade sempre se une ao génio artístico, e este último se deixa inspirar pelo sentido do belo e pela intuição do mistério. Nascem daí estilos bem conhecidos na História da Arte. A força e a simplicidade do românico, expressa nas catedrais ou nas abadias, vai-se desenvolvendo gradualmente nas ogivas e esplendores do gótico. Dentro destas formas, não existe só o génio dum artista, mas a alma dum povo. Nos jogos de luzes e sombras, nas formas ora massiças ora ogivadas, intervêm certamente considerações de técnica estrutural, mas também tensões próprias da experiência de Deus, mistério « tremendo » e « fascinante ». Como sintetizar em poucos traços, nas diversas expressões da arte, a força criativa dos longos séculos da Idade Média cristã? Uma cultura inteira, embora com as limitações humanas sempre presentes, impregnara-se de Evangelho, e onde o pensamento teológico realizava a Summa de S. Tomás, a arte das igrejas submetia a matéria à adoração do mistério, ao mesmo tempo que um poeta admirável como Dante Alighieri podia compor « o poema sagrado, para o qual concorreram céu e terra »,(15) como ele próprio classifica a Divina Comédia.
Humanismo e Renascimento
9. A feliz estação cultural, em que tem origem o florescimento artístico extraordinário do Humanismo e do Renascimento, apresenta também reflexos significativos do modo como os artistas desse período concebiam o tema religioso. Naturalmente as inspirações são tão variadas como os seus estilos, ou pelo menos como os mais importantes deles. Mas, não é minha intenção lembrar coisas que vós, artistas, bem conheceis. Dado que vos escrevo deste Palácio Apostólico, escrínio de obras-primas talvez único no mundo, quero antes fazer-me voz dos maiores artistas que por aqui disseminaram as riquezas do seu génio, permeado frequentemente de grande profundidade espiritual. Daqui fala Miguel Ângelo, que na Capela Sistina de algum modo compendiou, desde a Criação ao Juízo Universal, o drama e o mistério do mundo, retratando Deus Pai, Cristo Juiz, o homem no seu fatigante caminho desde as origens até ao fim da História. Daqui fala o génio delicado e profundo de Rafael, apontando, na variedade das suas pinturas e de modo especial na « Disputa » da Sala da Assinatura, o mistério da revelação de Deus Trinitário, que na Eucaristia Se faz companheiro do homem, e projecta luz sobre as questões e os anelos da inteligência humana. Daqui, da majestosa Basílica dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, da colunata que sai dela como dois braços abertos para acolher a humanidade, falam ainda Bramante, Bernini, Borromini, Maderno, para citar apenas os maiores, oferecendo plasticamente o sentido do mistério que faz da Igreja uma comunidade universal, hospitaleira, mãe e companheira de viagem para todo o homem à procura de Deus.
A arte sacra encontrou, neste conjunto extraordinário, uma força expressiva excepcional, atingindo níveis de imorredoiro valor quer estético quer religioso. O que vai caracterizando cada vez mais tal arte, sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tendências da cultura e da ciência, é um crescente interesse pelo homem, pelo mundo, pela realidade histórica. Esta atenção, por si mesma, não é de modo algum um perigo para a fé cristã, centrada sobre o mistério da Encarnação e, portanto, sobre a valorização do homem por parte de Deus. Precisamente os maiores artistas acima mencionados no-lo demonstram. Bastaria pensar no modo como Miguel Ângelo exprime nas suas pinturas e esculturas, a beleza do corpo humano.(16)
Aliás, mesmo no novo clima dos últimos séculos quando parte da sociedade parece indiferente à fé, a arte religiosa não cessou de avançar. A constatação torna-se ainda mais palpável, se da vertente das artes figurativas se passa a considerar o grande desenvolvimento que, neste mesmo período de tempo, teve a música sacra, composta para as necessidades litúrgicas, ou apenas relacionada com temas religiosos. Sem contar tantos artistas que a ela se dedicaram amplamente (como não lembrar Pero Luís de Palestrina, Orlando de Lasso, Tomás Luís de Victoria?), é sabido que muitos dos grandes compositores — de Händel a Bach, de Mozart a Schubert, de Beethoven a Berlioz, de Listz a Verdi — nos ofereceram obras de altíssima inspiração também neste campo.
A caminho dum renovado diálogo
10. Verdade é que, na Idade Moderna, ao lado deste humanismo cristão que continuou a produzir significativas expressões de cultura e de arte, foi-se progressivamente afirmando também uma forma de humanismo caracterizada pela ausência de Deus senão mesmo pela oposição a Ele. Este clima levou por vezes a uma certa separação entre o mundo da arte e o da fé, pelo menos no sentido de menor interesse de muitos artistas pelos temas religiosos.
Mas, vós sabeis que a Igreja continuou a nutrir grande apreço pelo valor da arte enquanto tal. De facto esta, mesmo fora das suas expressões mais tipicamente religiosas, mantém uma afinidade íntima com o mundo da fé, de modo que, até mesmo nas condições de maior separação entre a cultura e a Igreja, é precisamente a arte que continua a constituir uma espécie de ponte que leva à experiência religiosa. Enquanto busca do belo, fruto duma imaginação que voa mais acima do dia-a-dia, a arte é, por sua natureza, uma espécie de apelo ao Mistério. Mesmo quando perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais desconcertantes do mal, o artista torna-se de qualquer modo voz da esperança universal de redenção.
Compreende-se, assim, porque a Igreja está especialmente interessada no diálogo com a arte e quer que se realize na nossa época uma nova aliança com os artistas, como o dizia o meu venerando predecessor Paulo VI no seu discurso veemente aos artistas, durante um encontro especial na Capela Sistina a 7 de Maio de 1964.(17) A Igreja espera dessa colaboração uma renovada « epifania » de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã.
No espírito do Concílio Vaticano II
11. O Concílio Vaticano II lançou as bases para uma renovada relação entre a Igreja e a cultura, com reflexos imediatos no mundo da arte. Tal relação é proposta na base da amizade, da abertura e do diálogo. Na Constituição pastoral Gaudium et spes, os Padres Conciliares sublinharam a « grande importância » da literatura e das artes na vida do homem: « Elas procuram dar expressão à natureza do homem, aos seus problemas e à experiência das suas tentativas para conhecer-se e aperfeiçoar-se a si mesmo e ao mundo; e tentam identificar a sua situação na história e no universo, dar a conhecer as suas misérias e alegrias, necessidades e energias, e desvendar um futuro melhor ».(18)
Baseados nisto, os Padres, no final do Concílio, dirigiram aos artistas uma saudação e um apelo, nestes termos: « O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração ».(19) Neste mesmo espírito de profunda estima pela beleza, a Constituição sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium lembrou a histórica amizade da Igreja pela arte e, falando mais especificamente da arte sacra, « vértice » da arte religiosa, não hesitou em considerar como « nobre ministério » a actividade dos artistas, quando as suas obras são capazes de reflectir de algum modo a beleza infinita de Deus e orientar para Ele a mente dos homens.(20) Também através do seu contributo, « o conhecimento de Deus é mais perfeitamente manifestado e a pregação evangélica torna-se mais compreensível ao espírito dos homens ».(21) À luz disto, não surpreende a afirmação do Padre Marie-Dominique Chenu, segundo o qual o historiador da Teologia deixaria a sua obra incompleta, se não dedicasse a devida atenção às realizações artísticas, quer literárias quer plásticas, que a seu modo constituem « não só ilustrações estéticas, mas verdadeiros “lugares” teológicos ».(22)
A Igreja precisa da arte
12. Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. De facto, deve tornar perceptível e até o mais fascinante possível o mundo do espírito, do invisível, de Deus. Por isso, tem de transpor para fórmulas significativas aquilo que, em si mesmo, é inefável. Ora, a arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspectos da mensagem, traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intuição de quem os vê e ouve. E isto, sem privar a própria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mistério.
A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano literário e figurativo, trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas valências simbólicas. O próprio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua pregação, em plena coerência, aliás, com a opção que, pela Encarnação, fizera d'Ele mesmo o ícone do Deus invisível.
A Igreja tem igualmente necessidade dos músicos. Quantas composições sacras foram elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização. No cântico, a fé é sentida como uma exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus.
A Igreja precisa de arquitectos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação. Depois das terríveis destruições da última guerra mundial e com o crescimento das cidades, uma nova geração de arquitectos se amalgamou com as exigências do culto cristão, confirmando a capacidade de inspiração que possui o tema religioso relativamente também aos critérios arquitectónicos do nosso tempo. De facto, não raro se construíram templos, que são simultaneamente lugares de oração e autênticas obras de arte.
A arte precisa da Igreja?
13. Portanto, a Igreja tem necessidade da arte. Pode-se dizer também que a arte precisa da Igreja? A pergunta pode parecer provocatória. Mas, se for compreendida no seu recto sentido, obedece a uma motivação legítima e profunda. Na realidade, o artista vive sempre à procura do sentido mais íntimo das coisas; toda a sua preocupação é conseguir exprimir o mundo do inefável. Como não ver então a grande fonte de inspiração que pode ser, para ele, esta espécie de pátria da alma que é a religião? Não é porventura no âmbito religioso que se colocam as questões pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas?
De facto, o tema religioso é dos mais tratados pelos artistas de cada época. A Igreja tem feito sempre apelo às suas capacidades criativas, para interpretar a mensagem evangélica e a sua aplicação à vida concreta da comunidade cristã. Esta colaboração tem sido fonte de mútuo enriquecimento espiritual. Em última instância, dela tirou vantagem a compreensão do homem, da sua imagem autêntica, da sua verdade. Sobressaiu também o laço peculiar que existe entre a arte e a revelação cristã. Isto não quer dizer que o génio humano não tenha encontrado estímulos também noutros contextos religiosos; basta recordar a arte antiga, sobretudo grega e romana, e a arte ainda florescente das vetustas civilizações do Oriente. A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho!
Apelo aos artistas
14. Com esta Carta dirijo-me a vós, artistas do mundo inteiro, para vos confirmar a minha estima e contribuir para o restabelecimento duma cooperação mais profícua entre a arte e a Igreja. Convido-vos a descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres. Nesta perspectiva, faço-vos um apelo a vós, artistas da palavra escrita e oral, do teatro e da música, das artes plásticas e das mais modernas tecnologias de comunicação. Este apelo dirijo-o de modo especial a vós, artistas cristãos: a cada um queria recordar que a aliança que sempre vigorou entre Evangelho e arte, independentemente das exigências funcionais, implica o convite a penetrar, pela intuição criativa, no mistério de Deus encarnado e contemporaneamente no mistério do homem.
Cada ser humano é, de certo modo, um desconhecido para si mesmo. Jesus Cristo não Se limita a manifestar Deus, mas « revela o homem a si mesmo ».(23) Em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo. Todos os crentes são chamados a dar testemunho disto; mas compete a vós, homens e mulheres que dedicastes a vossa vida à arte, afirmar com a riqueza da vossa genialidade que, em Cristo, o mundo está redimido: está redimido o homem, está redimido o corpo humano, está redimida a criação inteira, da qual S. Paulo escreveu que « aguarda ansiosa a revelação dos filhos de Deus » (Rm 8,19). Aguarda a revelação dos filhos de Deus, também através da arte e na arte. Esta é a vossa tarefa. Em contacto com as obras de arte, a humanidade de todos os tempos — também a de hoje — espera ser iluminada acerca do próprio caminho e destino.
Espírito Criador e inspiração artística
15. Na Igreja, ressoa muitas vezes esta invocação ao Espírito Santo: Veni, Creator Spiritus..., « Vinde, Espírito Criador, as nossas mentes visitai, enchei da vossa graça os corações que criastes ».(24)
Ao Espírito Santo, « o Sopro » (ruah), acena já o livro do Génesis: « A terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas » (1,2). Existe grande afinidade lexical entre « sopro — expiração » e « inspiração ». O Espírito é o misterioso artista do universo. Na perspectiva do terceiro milénio, faço votos de que todos os artistas possam receber em abundância o dom daquelas inspirações criativas donde tem início toda a autêntica obra de arte.
Queridos artistas, como bem sabeis, são muitos os estímulos, interiores e exteriores, que podem inspirar o vosso talento. Toda a autêntica inspiração, porém, encerra em si qualquer frémito daquele « sopro » com que o Espírito Criador permeava, já desde o início, a obra da criação. Presidindo às misteriosas leis que governam o universo, o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do génio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior, que junta a indicação do bem à do belo, e acorda nele as energias da mente e do coração, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se então justamente, embora de forma analógica, de « momentos de graça », porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende.
A « Beleza » que salva
16. Já no limiar do terceiro milénio, desejo a todos vós, artistas caríssimos, que sejais abençoados, com particular intensidade, por essas inspirações criativas. A beleza, que transmitireis às gerações futuras, seja tal que avive nelas o assombro. Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o assombro é a única atitude condigna.
De tal assombro poderá brotar aquele entusiasmo de que fala Norwid na poesia, a que me referi ao início. Os homens de hoje e de amanhã têm necessidade deste entusiasmo, para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. Com tal entusiasmo, a humanidade poderá, depois de cada extravio, levantar-se de novo e retomar o seu caminho. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intuição, que « a beleza salvará o mundo ».(25)
A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: « Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! ».(26)
Que as vossas múltiplas sendas, artistas do mundo, possam conduzir todas àquele Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento, alegria inexprimível.
Sirva-vos de guia e inspiração o mistério de Cristo ressuscitado, em cuja contemplação se alegra a Igreja nestes dias.
Acompanhe-vos a Virgem Santa, a « toda bela », cuja efígie inumeráveis artistas delinearam e o grande Dante contempla nos esplendores do Paraíso como « beleza, que alegria era dos olhos de todos os outros santos ».(27)
« Eleva-se do caos o mundo do espírito »! A partir destas palavras, que Adam Mickiewicz escrevera numa hora de grande aflição para a pátria polaca,(28) formulo um voto para vós: que a vossa arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que, como revérbero do Espírito de Deus, transfigure a matéria, abrindo os ânimos ao sentido do eterno!
Com os meus votos mais cordiais!
Vaticano, 4 de Abril de 1999, Solenidade da Páscoa da Ressurreição.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano novo, nova criação

Vivemos mais um término de ciclo nesse findar de 2010.
Podemos comparar o ano novo e o ano velho com o Genesis e o Apocalipse.
No princípio, antes da criação, o caos inial existia, mas o Espírito do Senhor pairava sobre as águas.
Em nosas vidas, no decorrer do ano, tantas vezes deixamos Deus de lado e vivemos tal autonomia, confiando apenas nosso braço; o caos.
Foi isso que aconteceu com o povo eleito, eles se esqueceram do Senhor.
O tempo, infelizmente tem esse poder, de nos fazer colocar Deus do lado de fora de nossas vidas.
Mas então nós sabemos que Deus enviou ao mundo seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não preça, mas tenha a vida eterna. E se por meio de Adão entrou no mundo o pecado e a morte, por meio de Cristo a vida e salvação foi-nos dada! Aleluia!
É isso que devemos celebrar nesse fim de ano.
Se Cristo não tivesse ressucitado dentre os mortos vã seria a nossa fé.
Nos arrastariamos através dos tempos, na história, sem a certeza da eternidade no banquete nupcial do Cordeiro. E é ai que entra o Apocalipse.
A palavra nos diz que no fim de tudo, na Primaverados tempos, quando não houver mais reveillon, nem relógio, nem calendário e o próprio tempo se consumar, nós viveremos eternamente. Já não haverá nem choro, nem lágrima, nem dor, nem morte, mas sim, Cristo será tudo em todos! Uoul!
E nova criação surgirá. Um novo tempo que ainda não nos foi dado conhecer.
Por isso essa é a hora de agradecer por aquilo, que por meio de nossa fé, sabemos que virá!
Por hora nós nos medimos nossa vida pelo tempo que passa.
Mas virá o dia, o grande dia, Aleluia! Que todo olho verá sobre o trono dos céus a face do Cordeiro, a face do Leão em toda sua glória, explendor e magestade. E eis que Ele dirá com sua voz que é semelhante ao som de muitas água, e também como trovão: "Vinde benditos de meu Pai, entrai no reino que vos preparei!"
Eu não sei quanto a você, mas nessa hora eu correrei, avançarei sem olhar pra trás aos pés do meu amado!
Que essa possa ser a sua visão neste fim de ano. Contemple o senhor voltando pra nos buscar. Ame a vinda do senhor. E trabalhe, trabalhe muito, todos os dias da sua vida, para que na sua volta Ele encontre a noiva imaculada, ornada para a cerimônia. Então de mar a mar se estenderá o arco-íris, o mesmo que no Gênesis, rasgou o céu para que por toda a eternidade fosse lembrada a aliança feita com Noé.
E nós cantaremos louvores ao Rei dos reis. Um cântico novo entoado por todos os remidos triunfantes.

Maranatha! Vem Senhor Jesus!
Volta logo Jesus, a humaniddae já não aguenta esse sai ano, entra ano.
Toma o teu lugar, toma o teu trono de uma vez por todas o nosso coração.

Que 2011 seja uma ano de graça para todos filhos queridos do Pai celestial!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUANDO DEUS COLOCA ALGUÉM EM SUA VIDA!

Hoje eu pude compreender plenamente o trecho da música que diz que “é impossível ser feliz sozinho”.
Estava refletindo a maneira providencial que Deus coloca pessoas em nossas vidas. 
Como todos sabem sou músico, porém, muitas vezes me sinto um musico pela metade já que não toco nenhum instrumento. Isso sempre me limitou muito porque também sou compositor, componho letra e música. 
Mas em todo tempo dependi de alguém que pudesse musicar as minhas canções. E também sempre tive muita vergonha de mostrar minhas músicas, embora não pareça sou muito envergonhado rsrsrsrs.
Este ano de 2010 no entanto, Deus trouxe a minha vida uma pessoa que veio suprir toda essa carência musical, o guitarrista do MGR, Vitor Mello, que fez com que eu percebesse como é importante a comunhão entre os irmãos. 
E Deus tem me exortado muito a esse respeito. Dizendo ao meu coração que o próprio Jesus deixou toda a sua Glória, despojou-se de sua grandeza, e desceu até nós, envolveu-se com gente, quis em diversas ocasiões precisar das pessoas, pedindo de beber, de comer, pedindo hospedagem, chorando pelos seus. 
E é muito bom estar envolvido com pessoas, muito embora tantas vezes não consigamos enxergar a pessoa de Cristo em nosso próximo em um primeiro momento. No decorrer do relacionamento sentimentos e afetos vão sendo despertados, e assim, pessoas que antes nós supúnhamos incapazes de jamais estabelecermos algum tipo de relacionamento mais profundo, logo se tornam amigos mais chegados que irmãos. Basta que estejamos abertos para que o fluir do amor de Deus encontre espaço em nossos corações.
Foi exatamente isso que aconteceu comigo, o Vitor é uma pessoa completamente diferente de mim. Temos gostos diferentes, estilos diferentes, idades diferentes, opiniões diferente, temperamentos diferentes, mas em Cristo Jesus todas as nossas diferenças desaparecem.
Todas as barreiras caem pela força do amor de Deus em nós.
Tem sido um grande barato essa parceria.
Como nós brigamos, como nós discutimos!
Mas tudo para que seja feito o melhor e florescêssemos onde Deus nos plantou.
Hoje já podemos nos comunicar apenas pelo olhar. Quando eu quero saber se estou desafinando basta olhar pra cara dele, ele faz questão de expressar os meu erros, mas nem ligo rsrsrsrs.
Como também ele já sabe quando exagera nas distorçõesa da guitarra, no volume, pela forma como olho pra ele.
Quantas tardes, quantas noites a fio já passamos juntos compondo, arranjando, concertando, gravando, pesquisando. E todas essas situações serviram para que Deus aumentasse meu carinho, minha afeição, minha admiração por ele. E apagasse de uma vez por todas a imagem distorcida que eu tinha dele. A ponto de hoje em dia eu não só chamá-lo mas considerá-lo um irmão!
     
Não permita que o egoísmo, a vaidade, a soberba, a auto-suficiência impeçam que seu ministério cresça. Quando emprego o verbo crescer, não me refiro a sucesso, reconhecimento. Refiro-me ao crescer da graça de Deus naquilo que você faz.
Se você está se sentindo cansado, sobrecarregado, ou mesmo limitado em seu ministério, peça a Deus que levante alguém que seja capaz de dividir contigo as prosperidades e dificuldades da caminhada. Alguém que mesmo diferente de você, e só por isso, será capaz de mostrar novos caminhos, novas propostas, nova visão!

Seja abençoado, e sempre acolha aquele que te estender a mão!

Foto antiga, porém, uma das minhas favoritas
 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

GOSPEL CATÓLICO???

"Toda a terra tinha uma só língua, e servia-se das mesmas palavras. Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram na terra de Senaar uma planície onde se estabeleceram. E disseram uns aos outros: “Vamos, façamos tijolos e cozamo-los no fogo.” Serviram-se de tijolos em vez de pedras, e de betume em lugar de argamassa.

Depois disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra.” 

Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que construíram os filhos dos homens. “Eis que são um só povo, disse ele, e falam uma só língua: se começam assim, nada futuramente os impedirá de executarem todos os seus empreendimentos. Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro.” Foi dali que o Senhor os dispersou daquele lugar pela face de toda a terra, e cessaram a construção da cidade. Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a terra.". (Gn. 11,9).

Estamos em uma era de bobagens, devaneios e sincretismo. Católicos já não falam mais a "mesma língua" devido as múltiplas teorias religiosas e humanas. Jesus já não o centro de tudo. Há um esvaziamento da mensagem do Evangelho e da missão de Jesus a partir de teorias ou doutrinas evangélicas.

Alguns, afirmam que Jesus não é o filho de Deus mas, um ser superior, especial mas, nunca O Salvador... Outros, dizem que Jesus veio à terra para uma missão sublime, mas não fundou nem Igreja e nem religião. Alguns outros, vêem em Jesus um ser que "voltou" de várias vidas e evoluiu. E outros tantos enxergam Jesus como alguém normal, sem divindade nem salvação, só humano demais.

Teorias como estas invadiram os grupos de oração e os ministérios, especialmente o ministério de música. A facilidade que a música nos proporciona de uma sadia relação com outros grupos religiosos, muitas vezes influencia nossa mentalidade. E, como não somos firmes na doutrina católica, acabamos por impulso juvenil, aderindo a a outros tipos de linguagem ou religião.

A música proporciona uma certa "facilidade" de comunicação entre as mais diversas religiões. E isso é bom. Quem sabe, através das boas canções, não formamos um povo de Deus que louva e bendiga acima de qualquer divisão. Eu acredito em tudo que O Espírito pode fazer. Só não acredito nas frustradas tentativas de alguns músicos católicos em "unir" a música e as formas de expressão de nossa Igreja às de outras denominações religiosas sem uma real ação Espírito Santo.

Certas terminologias não devem ser utilizadas pelos ministérios de música católica. E isso tem explicação uma racional. Oras, aquilo que para nós, católicos, tem expressão como "mariologia" ou "Santidade de vida", para algumas denominações religiosas ou tem outro significado ou significado algum. Assim como, algumas expressões e conceitos nascidos em Igrejas não-católicas, para nós pode trazer um esvaziamento de nossa fé.

Nos anos 90, mais propriamente em 1993, houve uma explosão da música católica. Apareceram várias bandas e ministérios. E com esta ascensão da música católica, também houve um ardente desejo emdefinir o tipo de música que executávamos. Foi aí que cometemos nosso primeiro erro: chamamos nossa música de "GOSPEL CATÓLICO". Sim. Essa expressão não nasceu nos dias atuais. Alguns músicos católicos, como eu, queriam se definir, se encontrar, trazer um sentido para suas composições então, usamos este nome para nos "autodefinir". 

Contudo, com o passar dos tempos, o próprio Espírito nos conduziu a outra definição: Música católica. E entendemos porque: na verdade, o termo que usávamos era uma forma de rejeitar o tradicional e buscar uma inovação.

Para qual surpresa nossa, quando fomos estudar sobre a origem desta palavra tomamamos um susto. 

Tentei ao máximo extrair uma origem definida para esta palavra. É difícil pois, as várias expressões da música evangélica a tratam como uma simples definição do estilo ou da categoria de suas músicas. Muitos nem sabem ao certo o que realmente essa expressão significa. Tratam-na simplesmente como "evangelho" ou similar. Porém, conversando com algumas pessoas de outras doutrinas, algumas explicações foram dadas.

Não existe um consenso sobre as explicações abaixo. E aqui abro o post para contribuições que possam ajudar no discernimento

A origem da palavra Gospel.

Explicação 1.
A palavra "Gospel" não existe. Existe a fusão de duas palavras "God" e "spell" que quer dizer "música de Deus que envolve, como mágica, como um encanto", ou God-spell que, na definição de algumas doutrinas quer dizer "boa nova".

Explicação 2. (A explicação histórica oferecida por alguns evangélicos que não concordam com esta terminologia).

"Um tipo de música/composição criada para expressar uma crença INDIVIDUAL (e é aqui que mora o perigo) ou de uma comunidade religiosa nascente que queria romper com o tradicional". 

Utiliza-se deste tipo de música não só em cerimônias religiosas ou cultos mas, de forma estética (markenting) como um produto para mercado comercial. Alguns famosos artistas traziam consigo influências Gospel como Elvis Presley, Ella Fitzgerald, Ray Charles e tantos outros.

Thomas A. Dorsey (1899-1993), compositor de sucesso tipo There Will Be Peace in the Valley, é considerado por muitos, O Pai da Música Gospel. No início de sua carreira ele era um importante pianista de Blues, conhecido aliás por Georgia Tom. Ele começou a escrever Gospel depois que ouviu Charles A. Tindley (1851-1933) numa convenção de músicos na Filadélfia, e depois, abandonando as letras mais agressivas de outras canções, não abandonou, contudo, o ritmo de Jazz tão parecido com o de Tindley. A Igreja inicialmente não gostou do estilo de Dorsey e não achou apropriado para o santuário, na época. Em 1994, após o seu falecimento, a revista Norte-americana, Score, publicou um artigo com o título: The Father of Gospel Music (em português, "O Pai da Música Gospel").

Portanto, segundo pesquisa, a origem desta terminologia indica uma música que pretendia "afastar-se"  da Igreja para que pudessem atingir a um público menos ligado à Palavra de Deus. Sendo "Gospel", ficaria mais fácil ter sua música veiculada em rádio, tv, eventos não religiosos, festas de peão, shows seculares enfim.

Bem, se você me perguntasse se devo ou não usar esta terminologia em eventos de meu ministério, eu responderia: "eu já fiz isso também". Usei deste subterfúgio para "firmar" meu ministério em uma errada tentativa de me colocar no cenário musical comercial. Posso afirmar, sem medo de errara, que foi o próprio Espírito do Senhor que arrancou esta mentalidade de mim. Havia o risco eminente de desvio doutrinário. Portanto, eu não recomendo que se misture as coisas. Gostar e tocar músicas evangélicas ou de outras denominações não traz problema nenhum aos ouvidos desde que, não seja uma aberração doutrinária e teológica que afete ou desoriente o povo sobre Sã Doutrina Católica.

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos. Oséias 4.
 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VÍDEO DO FESTIVAL

Amados seguidores do blog, é com alegria que trazemos a vocês o vídeo de nossa apresentação no Festival Santa Luzia!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FESTIVAL

No ultimo sábado aconteceu a primeira eliminatória do Festival de música da Paróquia Santa Luzia, e para o louvor e glória do Senhor nós fomos classificados para a final que ocorrerá no dia 20/11. Aleluiaaaa!
Tudo isso quem fez foi o braço forte do senhor!

http://www.santaluziagardenia.org.br/festival/

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fotos de nosso ensaio no estúdio HR

Queridos,
Na ultima terça, dia 12, estivemos em estúdio para ensaiarmos para o Festival Santa Luzia.
Aqui vão algumas fotos nossas para partilharmos esse momento com todos que nos seguem.
O festival será no próximo sábado, dia 16, na paróquia Santa Luzia, Gardênia Azul.
Torçam por nós!
Graça e paz, Diego Valeriano.